Quando ser forte demais vira um problema

Existe uma diferença sutil entre ser forte e se obrigar a suportar tudo sozinho. Nem sempre quem aguenta mais está bem. Às vezes, está apenas acostumado a não ter escolha.

A força emocional virou uma exigência silenciosa. Espera-se que as pessoas deem conta de tudo: trabalho, estudo, relacionamentos, decisões difíceis. Reclamar é visto como fraqueza. Parar é visto como fracasso. Pedir ajuda, muitas vezes, como incapacidade.

O problema é que essa ideia de força não ensina a lidar com limites. Ensina apenas a ignorá-los. E limites ignorados não desaparecem — eles cobram o preço depois, no corpo, na mente e na forma como a pessoa passa a se relacionar consigo mesma.

Na prática, ser forte o tempo todo cria um tipo específico de adoecimento: aquele em que a pessoa continua funcionando, mas perde a sensibilidade para o que sente. Não chora, não desaba, não pede ajuda. Apenas segue.

Reconhecer que algo pesa não é desistir. É maturidade. Força de verdade não é suportar tudo em silêncio, mas saber quando é hora de dividir o peso, recalcular o caminho e cuidar do que está sendo negligenciado.

Talvez o problema não seja você ser fraco demais. Talvez seja ter aprendido a ser forte além do necessário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima